sábado, 29 de setembro de 2012

“Espelho, espelho meu, haverá um candidato melhor do que eu?”


Os candidatos à prefeitura de Curitiba Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB), Rafael Greca (PMDB) e Ratinho Júnior (PSC) têm cumprido suas agendas de campanha em estilos pensados para cativar os eleitores. Ter o corte de cabelo em ordem e os dentes com boa aparência parecem ser outras preocupações dos concorrentes. Tanta importância para o visual se deve a uma constatação já antiga dos marqueteiros eleitorais: a imagem ajuda a atrair a atenção dos eleitores e pode conquistar votos.

Quando se trata do vestuário, o estilo mais marcante entre os candidatos tem sido o de Rafael Greca. O concorrente do PMDB tem apostado no tradicional conjunto calça, colete, camisa social e paletó, e arrisca o uso do chapéu em algumas ocasiões. Ratinho Júnior tem abusado do ar jovial, eliminando as gravatas e optando por blazers casuais, camisas, calças jeans ou de sarja. Fruet e Ducci ficam no meio termo entre o despojado e o formal.

Certo ou Errado

De acordo com os analistas, candidatos devem seguir algumas regras de estilo para demonstrar cuidado com a aparência e chamar atenção do eleitor. Confira algumas delas:

• As roupas precisam estar bem passadas. Manchas e sujeira caracterizam desleixo.

• Usar cores claras, que aproximam as pessoas, como azul, rosa e verde claro. Preto deve ser evitado por transpor uma mensagem de autoritarismo.

• “Upgrade masculino” não tem nada de errado. É bom mudar a aparência.

• Olheiras são ruins para o candidato por indicarem um aspecto de cansaço e envelhecimento. Se for necessário, use maquiagem para disfarçá-las.

• Óculos devem estar de acordo com o rosto da pessoa. É ruim quando cobrem as sobrancelhas por esconderem a expressão facial. Outra dica é evitar armações muito grossas e não usar óculos na ponta do nariz, por parecer que a velhice chegou.

• Roupas, cabelo e porte devem realçar, harmonicamente, a personalidade.

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Consultoras analisam a imagem dos candidatos antes e durante a campanha

Monte seu candidato com as roupas do infográfico

Os consultores de moda ouvidos pela Gazeta destacam a opção do candidato do PDT por manter os cabelos grisalhos. Fruet aparece com algumas mechas brancas nos meios de propaganda, como cavaletes, santinhos, fotos dos sites e na própria televisão. Na avaliação dos cunsultores, isso ajuda a passar uma imagem de experiência de vida ao candidato.

Já o atual prefeito, Lu­­ciano Ducci, parece ter preferido esconder os brancos com tintura, deixando cor atual do cabelo próxima a um castanho claro. Ratinho Júnio mudou o corte para a campanha: passou para um estilo mais curto e ajeitado. Para consultores, esse cuidado tem a ver com a intenção de passar uma postura de credibilidade.

Personalidade

Uma das autoras do livro “Guia de Estilo para Candidatos ao Poder”, Milla Mathias explica que a estratégia da aparência começa com o trabalho de identificar o que se tem de melhor na personalidade do candidato. O passo seguinte é refletir isso na imagem e no comportamento de postulante ao cargo público.

“As pessoas não têm a consciência da mensagem que passam com a imagem delas e isso já é provado cientificamente. O candidato trabalha para ter uma postura adequada a um chefe de poder, que irá comandar, com confiança e credibilidade. Mas o aspecto de liderança vem da personalidade primeiro”, ressalta.

Para a consultora de imagem Andressa Trauczynski, a figura de um candidato deve transmitir credibilidade e aparência agradável. “Os políticos não precisam ser bonitos, mas devem ter um visual bem cuidado. Os homens não devem aparecer barbudos, o que seria um sinal de desleixo, por exemplo.”

Além do cuidado com a barba, Andressa destaca a necessidade de ter atenção na hora da escolha da cor da roupa, e recomenda aos concorrentes evitar cores extravagantes. “A dica são camisas em tons neutros como azul, cinza e branco”, recomenda.

Presidentes
Lula e Dilma mudaram aparência devido à campanha eleitoral

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos principais exemplos de candidatos que passaram por mudanças visuais para uma campanha política. Na eleição de 2002, adotou o estilo “Lulinha paz e amor”, aparou a barba, cortou o cabelo e passou a usar roupas mais sociais. Na exemplo de Lula, a presidente Dilma Rousseff também passou por uma reformulação visual para a campanha eleitoral. Em 2010, Dilma mudou o corte de cabelo, passou por tratamentos estéticos e por uma reformulação do armário. Durante a campanha, ela contava com uma maquiadora que a acompanhava em todos os eventos pelo país.

Milla Mathias comenta que, como Ministra da Casa Civil Dilma vestia roupas escuras, de corte reto, que não favoreciam a feminilidade. “Isso criava uma imagem de antipatia, quando ela resolveu ser a sucessora do Lula, começou a usar cores mais claras, suaves, mudou o cabelo e óculos.” De acordo com Milla, essas mudanças equilibraram a aparência de Dilma, o que, possivelmente, aproximou o olhar da população brasileira.

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